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Bom Dia Dom Fernando em 10 de abril

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Muito bom-dia queridos irmãos e irmãs, sintonizados conosco nesse encontro diário através da nossa querida Rádio Olinda.

Hoje é Sexta-feira da Paixão.  Durante todo o dia de hoje, até o por do sol de amanhã, vivemos um período de recolhimento, de silêncio. Jesus hoje morre na cruz e seu corpo é depositado no sepulcro, daí o motivo da nossa postura contemplativa. Toda a Igreja, povo de Deus, se cala diante de tão grande mistério. Exatamente às 15 horas, silenciosamente, estarei me aproximando do altar na Catedral, em Olinda, e me prostrarei diante do mesmo, para recordar o momento em que Jesus, do alto da cruz, gritou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou” (Lc 23,46). Nesse momento, convido todos e todas que, de suas casas, estiverem sintonizados conosco e tenham condições físicas, a se colocarem piedosamente de joelhos, numa atitude de adoração e gratidão ao Deus que dá sua vida por amor a todos nós, sem distinção de pessoa e sem levar em conta nossas misérias.  Em cada Igreja Matriz de nossa arquidiocese, o pároco ou administrador paroquial, neste ou em outro horário conveniente, estará também realizando o mesmo gesto, com semelhante motivação. 

Hoje não é permitido celebrar a Santa Missa em parte alguma do mundo. Celebramos sim, a Liturgia da Paixão e Morte de Jesus, dividida em três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da Santa Cruz e Comunhão. Na Liturgia da Palavra escutaremos a leitura do Profeta Isaías, que nos apresenta o quarto canto do Servo do Senhor; um texto da carta aos Hebreus e o relato da paixão de Jesus Cristo segundo São João. As três leituras, muito bem sintonizadas, nos apresentam Jesus, o Cordeiro de Deus, aquele que foi levado como cordeiro ao matadouro: ferido por causa dos nossos pecados, esmagado por causa dos nossos crimes. Por seu sofrimento, justificou uma quantidade incalculável de pessoas, carregando sobre si suas culpas. Com a Oração Universal, concluiremos a primeira parte da celebração e rezaremos, como de costume: pela Igreja, pelo Papa, por todas as ordens e categorias de fiéis, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem no Cristo, pelos que não creem em Deus, pelos poderes públicos, por todos os que sofrem provações, e neste ano, por conta do que estamos vivendo com o Covid-19, faremos uma prece especial por toda essa situação, orando especialmente pelas vítimas do novo coronavírus e por todos que cuidam dos enfermos em tempo de pandemia. 

Na segunda e terceira parte da celebração, teremos a adoração da Santa Crus, ocasião em que a cruz que se encontra revestida com um tecido roxo, será descoberta pausadamente, à medida em que se canta: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo, vinde adoremos!” Apenas o presidente da celebração dará o beijo na cruz, representando todos os fiéis que de suas casas realizarão, intencionalmente, o mesmo gesto de amor e gratidão ao Cristo que, livremente, deu sua vida por nós. Na quarta e última parte da celebração será introduzido o Santíssimo Sacramento, consagrado na Missa da Ceia do Senhor, o presidente da celebração e os poucos fiéis presentes receberão a comunhão. Os fiéis, de suas casas, farão a comunhão espiritual e se colocarão em atitude de adoração. 

De acordo com a reforma litúrgica, apenas em dois dias do ano litúrgico a Igreja orienta a obrigatória prática do jejum e da abstinência para as pessoas que tenham boas condições de saúde e idade entre 18 e 60 anos. São a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão. Portanto, os que puderem, realizem esse gesto no dia de hoje, em plena comunhão com toda a Igreja e oferecendo esse pequeno sacrifício pela cura do mundo inteiro, penalizando com a pandemia do novo coronavírus. Em princípio, o jejum consiste em renunciar uma das principais refeições do dia e oferecê-la aos pobres, ou outro tipo de jejum decidido livremente. A abstinência, simplesmente renunciar à carne.

Terminada a celebração continuemos no aconchego dos nossos lares, em clima de oração e fraternidade, observando a recomendada quarentena, dando forças uns aos outros e, em hipótese alguma cedendo ao desânimo. Não estamos sozinhos, nosso Deus está do nosso lado, escutando a nossa prece e preparando nosso coração para celebrar com fé a Páscoa, ponto culminante do tríduo pascal.

Desejo a todos e todas, uma Sexta-feira Santa de paz e, desde já, uma Feliz e Santa Páscoa!

Segunda-feira, se Deus quiser, voltaremos a nos encontrar.

Sobre todos e todas venham as bênçãos do Pai, Filho e Espírito Santo.

 

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB

Arcebispo de Olinda e Recife

 

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